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Excluído, André Brasil é ‘chato’ e não desiste de lutar

Dono de 14 medalhas paralímpicas, o nadador brasileiro cobra avaliações científicas e mantém sonho de participar dos Jogos de Tóquio

André Brasil Atleta Paralímpico
André Brasil tem 14 medalhas paralímpicas, sendo sete de ouro, cinco de prata e duas de bronze (Fernando Frazão/Agência Brasil)

André Brasil é uma das referências da natação brasileira e mundial. O nadador conquistou 14 medalhas paralímpicas, sendo sete de ouro, cinco de prata e duas de bronze. Porém, desde abril de 2019, foi considerado inelegível pelo sistema de competições do IPC (Comitê Paralímpico Internacional). O esporte, que antes era inclusivo, passou a excluí-lo, mas o atleta é ‘chato’ e não vai desistir de lutar para ir aos Jogos de Tóquio.   

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“Ainda tenho sonhos e o principal deles é concluir meu ciclo no esporte adaptado. Imaginei minha carreira disputando quatro paralimpíadas e em todas elas com alguma medalha. O corpo não é mais o mesmo de 20 anos atrás, mas a vontade continua grande. Lá vou eu de novo, o chato e pentelho, lutar por algo que acho desigual e não pode passar impune”, afirmou André Brasil em live no Instagram do Olimpíada Todo Dia.

Luta por critério mais científico

“Toda vez que falo nesse assunto me sinto excluído do esporte. É difícil falar dessa forma de algo que dá oportunidade para pessoas com deficiência e trabalha pela inclusão, mas, ao mesmo tempo, deixa tão vago e indeciso um processo que deveria ser mais especifico e científico. Estou há mais de 15 anos neste processo e não vejo ciência nisso. Só vejo um achismo em uma avaliação tátil e visual que decide a vida de uma pessoa”, destacou o atleta.

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Após ter o recurso negado no IPC, André Brasil acionou a Justiça comum da Alemanha, país onde a entidade está situada. “O primeiro degrau foi uma ação direta com o IPC, mas era uma audiência difícil de ter 100% de lisura. É difícil assumir o próprio erro. Acredito que ainda em julho saia uma resposta. A pandemia atrapalhou o processo, mas ajudou para que o sonho continuasse”, disse o nadador paralímpico.

Resultados como evolução do esporte

André Brasil Atleta Paralímpico
Na avaliação atual, André Brasil só pode participar das provas do nado peito (Daniel Zappe/CPB/MPIX)

André Brasil entrou no esporte paralímpico em 2005. Após três anos de dedicação, o competidor já estava nadando na faixa dos 51 segundos a prova dos 100 m livres na classe S10. Em 2016, ele e mais cinco atletas continuam completando a prova dentro do mesmo tempo. Excluído das disputas dos nados livre, borboleta e costas (S) e também do medley (SM), o brasileiro só está apto a competir no nado peito (SB).

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“Essa é a única classificação que ainda tenho como atleta. E depois de quase 20 anos no esporte de alto rendimento é difícil falar que o peito é o meu melhor nado. Quando vejo meus adversários e olho para minha perna ainda sinto aquela magoa. Não me vejo diferente deles. A única coisa que fiz foi aumentar a régua. Fiz parte de um processo de evolução esportiva e mais nada”, ressaltou o nadador paralímpico.

Habilidade ou vantagem?

“O que ainda dói foi ter escutado um profissional me questionar como uma criança chegaria às minhas marcas. Disse que ela vai ter que treinar durante 15 anos da vida dela e se doar todos os dias. Me foi dito também que meu movimento dentro d’água era diferenciado. Ao falar isso, a pessoa avaliou minha habilidade e não o movimento. Treinei anos da minha vida e fui julgado por isso”, completou.

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André Brasil lamentou que, de repente, deixou de ser um espelho de seu esporte pelo que considera falha de critério. “Então, se não tivesse desenvolvido meu movimento de propulsão ainda estaria no esporte? Hoje estão colocando a minha habilidade em xeque. O esporte não pode evoluir? Só digo que essa história não acabou. Quero mostrar ao meu filho que o pai dele é chato e vai lutar até as últimas consequências”, concluiu o atleta.

Confira a entrevista completa

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