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Maratona Aquática

Ana Marcela Cunha: uma guerreira em busca da medalha olímpica

Ana Marcela é uma guerreira determinada e incansável. Dona de um currículo invejável na maratona aquática, ela segue em busca de seu grande sonho: a medalha olímpica. Que ela venha em Tóquio!

Ana Marcela Cunha é uma guerreira incansável! Se algo não acontece como ela gostaria, consegue rápido dar a volta por cima e se tornar mais forte. Exemplos disso não faltam na carreira da nadadora, dona de dez medalhas em Mundiais, que vai receber pela quinta vez em 2018 o prêmio de melhor do planeta na maratona aquática. O currículo da baiana de 26 anos é invejável, mas ainda lhe falta a sonhada medalha olímpica, que ela fará tudo para buscar em Tóquio 2020.

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“Ela tem tudo que um atleta de alta performance almeja, exceto a medalha olímpica. Então, a medalha olímpica é o objetivo sim, que está sendo perseguido. A dedicação dela é extrema e tudo isso é para o objetivo da medalha olímpica, sem dúvida: 2020 essa medalha vem aí”, acredita George Cunha, ex-nadador, pai e um dos maiores incentivadores da atleta.

A primeira participação olímpica de Ana Marcela Cunha foi em Pequim 2008, exatamente na estreia da maratona aquática no programa dos Jogos. Com apenas 16 anos, a brasileira terminou na quinta colocação. O resultado junto do bronze no Mundial de 2010 e do título de campeã geral da Copa do Mundo do mesmo ano, quando ela foi eleita pela primeira fez a melhor do planeta, a transformaram imediatamente numa candidata  à medalha em Londres 2012. Mas um ano antes da Olimpíada, veio a decepção.

O Mundial de Xangai em 2011 servia de seletiva para os Jogos de Londres. As dez primeiras colocadas na prova dos 10km garantiam a vaga para a competição, mas Ana Marcela Cunha ficou em 11º. lugar. “Acredito que um dos meus momentos  mais difíceis foi ter feito um ciclo olímpico muito bom pensando nos Jogos Olimpicos de 2012 e fui 11ª. na seletiva de 2011 em Xangai. Foi uma dor muito grande, mas naquele momento, quando eu voltei para o quarto, eu me lembro até hoje, a primeira coisa que eu fiz foi ligar para os meus pais e a primeira coisa que eu falei foi: eu ainda não desisti, eu não me sinto despreparada para o que eu vim fazer”.

Foi uma conversa inesquecível tanto para George quando para a mãe, Ana Patrícia Cunha. O pai, no entanto, confessa que na hora não entendeu a mensagem: “De repente, nós ficamos assim: o que ela quer dizer com isso? Mundial não acabou para mim?”. A resposta veio quatro dias depois, quando Ana Marcela Cunha conquistou a medalha de ouro na prova dos 25km. “Ela mostrou uma superação incrível. Ela lembrou da prova dos 25km, mas não falou da prova (na ligação). Só falou que o Mundial não tinha acabado e foi com muita vontade e com muita garra para ganhar os 25km”, lembra George. “Nós crescemos com a atitude dela. A gente viu a mudança de uma menina para uma menina mulher”, completa Ana Patrícia.

O amadurecimento fez Ana Marcela Cunha ter um ciclo fantástico visando a Olimpíada do Rio de Janeiro. Foi campeão do circuito da Copa do Mundo em 2012 e em 2014, além de colecionar medalhas nos Mundiais. Em 2013, em Barcelona, foi prata nos 10km e bronze nos 5km. E em 2015, em Kazan, foi ouro nos 25km, prata nos 5km e bronze nos 10km.

Tudo levara a crer que Ana Marcela Cunha subiria no pódio na Rio 2016. Mas a nadadora trocou o técnico Fernando Possenti, com quem havia conquistado seus melhores resultados, por Márcio Latuf e uma falha do novo treinador custou caro para a atleta. Por acidente, Latuf deixou cair na água a alimentação que a brasileira deveria ingerir no meio da prova. Ela perdeu força e não conseguiu brigar pelo pódio: chegou em décimo lugar, 56 segundos das líderes.

“O que eu vivi em 2016, eu não quero viver em 2020. Acho que eu saí da prova no Rio mais consciente de que a gente tem que ter um plano B. Cada competição que passa, tendo bom resultado ou resultado não tão bom, eu saio de cada prova mais forte, sabendo o que eu preciso melhorar, o que eu preciso fazer de diferente para ir em busca desse alto nível que a gente chegou hoje”, afirma a nadadora.

O primeiro passo foi voltar a trabalhar já em 2017 com Fernando Possenti, que vai ser homenageado como o melhor técnico do ano no Prêmio  Brasil Olímpico de 2018, e os resultados voltaram com toda a força. No Mundial de Budapeste em 2017, Ana Marcela conquistou o tricampeonato dos 25km, e foi bronze nos 5km e nos 10km. Em 2018, conquistou o título do circuito da Copa do Mundo pela quarta vez na carreira e foi eleita, pela quinta vez, a melhor do planeta. A continuar assim, a medalha dela em Tóquio estará reservada à nadadora. Só falta ela ir buscar!

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