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‘Jogos da Inspiração’ trazem saudade e também melancolia

Etapa-exibição da Liga Diamante de atletismo matou a vontade de ver estrelas do esporte em ação, mas causou um pouco de incômodo

Liga Diamante Allyson Felix
A americana Allyson Felix foi uma das estrelas nos "Jogos da Inspiração", pela Liga Diamante (Divulgação)

Saudades de uma prova de atletismo ao vivo, né minha filha? Pois bem, nesta quinta-feira (9), um pouco desta vontade de relembrar os velhos tempos foi compensada com a realização dos “Jogos da Inspiração”. O evento-exibição criado pela Liga Diamante, em formato inédito, aconteceu em sete cidades diferentes nos Estados Unidos e Europa. Em cada uma das provas, três atletas se “enfrentavam” virtualmente, competindo nas respectivas pistas.

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É verdade que deu para relembrar aquela sensação de acompanhar uma grande competição do atletismo mundial novamente ao vivo. Inevitável o sentimento de saudade dos tempos em que ninguém imaginava ver o mundo parar por causa da pandemia do coronavírus. Mas, admito que terminei com uma certa dose de melancolia.

Com previsão para retomar o calendário de competições em 14 de agosto, em Monaco, a Liga Diamante já teve quatro meetings cancelados pela pandemia: Eugene (EUA), Londres (ING), Paris (FRA) e Rabat (MAR). A programação foi reorganizada com a confirmação de sete provas e ainda mais duas a confirmar. Diante das circunstâncias, nada mal.

Ainda assim os dirigentes da World Athletics (Federação Internacional de Atletismo) resolveram criar dois eventos de exibição. O primeiro foi em junho, os “Jogos Impossíveis”, em Oslo (NOR), sem a presença de torcida. Cerca de 50 atletas, quase todos dos países nórdicos, participaram de um programa com várias provas não olímpicas, como disputas de 1.000 m e 2.000 m.

As grandes estrelas foram o sueco Armand Duplantis e o francês Renaud Lavilenie, no salto com vara. Lavilenie, é verdade, competiu na pista que tem em sua casa, na França, com as imagens sendo passadas no telão.  Duplantis, atual recordista mundial, venceu a disputa.

Reunião de astros

Ao criar os “Jogos da Inspiração”, a Liga Diamante foi mais ousada. Primeiro, pela estrutura criada, com as provas sendo disputadas em sete cidades diferentes. Além de Zurique, na Suíça, ocorreram disputas em Walnut (EUA), Bradenton (EUA), Papendal (HOL), Lisboa (POR), Karlstad (SUE) e Aubiére (FRA).

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Além disso, o time de estrelas escaladas foi escolhido a dedo, de fazer inveja a qualquer grande meeting. Estavam lá a velocista americana Allyson Felix, dona de nove medalhas olímpicas, seis delas de ouro; a campeã olímpica dos 400 m, Shaunae Miller-Uibo, de Bahamas; a grega Katerina Stefanidi, campeã olímpica do salto com vara; o cubano naturalizado português Pedro Pablo Pichardo , dono da quinta marca da história do salto triplo (18,08 m); e o americano Sam Kendricks, bicampeão mundial do salto com vara; e o americano Noah Lyles, uma das maiores promessas da nova geração do atletismo americano, atual campeão mundial dos 200 metros.

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A forma para colocar todas estas feras em ação, contudo, foi inusitada. Como ainda existem restrições de deslocamentos internacionais, os atletas competiam isoladamente em suas raias ou caixas de salto.

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Na prática, sem público ou rivais, a impressão era de que os atletas estavam apenas treinando, só que com TV ao vivo. Para o público, com a tela dividida em três partes, até que o resultado final ficava bacana.

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Mas o evento da Liga Diamante também teve espaço para um mico. Na prova dos 200 metros, Noah Lyes fez um tempo assombroso, 18s90. Com esta marca, ele teria quebrado o recordo de Usain Bolt, obtido em 2009, de 19s19. Teria. O problema é que houve um erro na marcação de sua raia e ele correu uma distância equivalente a 185 metros!

Como tira-gosto, os “Jogos da Inspiração” foram excelentes. Mas não vejo a hora de ver uma competição de verdade, com os atletas lado a lado e sem risco para a saúde de todos.

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