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Tóquio 2020

Nathalie Moellhausen revela que está classificada para Tóquio

Atual campeã mundial, a esgrimista Nathalie Moellhausen participou de uma live no instagram do Olimpíada Todo Dia e confirmou vaga na competição

Nathalie Moellhausen já está na história da esgrima brasileira e segue com motivação em busca de mais conquistas. Campeã mundial na categoria espada em 2019, em Budapeste, na Hungria, a atleta está focada nos Jogos Olímpicos de Tóquio, que mudou de 2020 para 2021 por causa da pandemia de coronavírus. Nesta quinta-feira (16), a esgrimista participou de uma live no instagram do Olimpíada Todo Dia e garantiu presença no evento.

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“Agora é oficial. Em março, faltando quatro dias para começar a quarentena, virou oficial já que fechei como número 2 do ranking mundial. A informação é que quem estava qualificado antes da paralisação já tinha vaga garantida. Tenho meu passaporte”, afirmou Nathalie.

A reportagem do OTD consultou a Confederação Brasileira de Esgrima (CBE) e a entidade apresentou seu pontos de vista com relação a classificação da atleta para Tóquio: “Nathalie está matematicamente classificada pelo ranking. Para ela ficar fora somente se tiver algum problema de saúde ou algo que a impeça de participar”.

Nathalie comentou também sobre o adiamento da Olimpíada e como tem lidado com isso. “O atleta tem sempre essa mentalidade de querer fazer o melhor, treinar muito e mais em ano olímpico do que faria normalmente. Até que, de repente, o objetivo some. Isso serve como ensino e faz com que todos entendam que a regra principal é saber se adaptar”, destacou.

“Se tivesse que competir agora não estaria pronta como há um mês, quando estava no auge, como número 2 do mundo. Hoje não estaria na melhor forma. As vezes isso é bom pra fortalecer a cabeça. Na esgrima é importante saber lidar com as coisas fora do controle que aparecem”, complementou.

Lembranças do título mundial

Nathalie Moellhausen Tóquio Esgrima
Nathalie Moellhausen foi campeão mundial vencendo a chinesa Sheng Lin na final (Bizzi/FIE)

O título de campeã do mundo foi a realização de um sonho para Nathalia Moellhausen. Para chegar ao topo do pódio, a atleta superou na fase eliminatória a polonesa Renata  Knapik-Miazga e a chinesa Mingye Zhu. Nas oitavas de final, venceu a italiana Alberta Santuccio. Nas quartas ganhou da luxemburguesa Lis Rottler-Fautsch e na semifinal foi superior a esgrimista Wai Vivian Kong, de Hong Kong. A medalha de ouro foi conquistada com vitória diante da chinesa Sheng Lin.

“As imagens daquele momento trazem uma grande emoção. Olho essas fotos e me pergunto: sou eu? Aconteceu de verdade isso na minha vida? Infelizmente os momentos bons duram pouco, mas aquele dia foi realmente a realização do sonho de uma vida. Quando falo isso é porque, seguramente, foi o sonho que dediquei mais tempo, energia, dedicação e noites em branco pensando se conseguiria ou não”, disse.

“O percurso foi muito difícil e suado, pois mudar da Itália para o Brasil não foi fácil porque tem muita discriminação o fato de representar dois países. Sabia que precisava de um destaque esportivo para conquistar minha nova nação. Estou feliz de ter lutado e continuado até o final, pois sabia que tinha que ter isso na minha vida. Aquele dia foi de uma total liberação para mim”, completou Nathalie.  

Objetivo de disputar segunda Olimpíada “em casa”

Nathalie Moellhausen Tóquio Esgrima
Nascida na Itália, a atleta tem ligação com o Brasil porque sua mãe é brasileira (Wander Roberto/Exemplus/COB)

Nathalie Moellhausen começou a competir pela seleção brasileira em 2014. Nos Jogos Olímpicos Rio-2016, a esgrimista foi eliminada nas quartas de final, terminando na quinta posição. Já garantida em Tóquio, a competidora está atualmente com 34 anos e acredita que tem condições de disputar a edição de 2024, em Paris, na França, local onde mora.

“Vamos até 2024”, brincou. “Na verdade não tinha pensado que seria um ciclo de três anos. Tudo vai depende de como vou estar no que se refere a forma física. Seria bom porque disputaria duas Olimpíadas em casa, no Rio e em Paris”, disse Nathalie, que nasceu em Milão, na Itália, mas tem ligações com o Brasil porque sua mãe é brasileira. Além disso, a atleta tem um pai Alemão e é casada com um chefe de cozinha argentino.

“Minha relação com Brasil é desde criança. Fui pela primeira vez quando tinha 1 ano. Depois disso, dos 5 aos 12 sempre passei minhas férias de Natal no Brasil com família da minha avó. Mais para frente voltei ao Brasil com 23 anos e quando cheguei tive sensação de estar casa em uma edição da Copa do Mundo, Rio de Janeiro. Em um dos dias fui com meu treinador italiano no Pão de Açúcar e comentei com ele que, não sabia o porque, mas tinha a sensação que deveria fazer alguma coisa pelo Brasil”, contou a atleta.

Começo na modalidade e treinos compartilhados

https://www.instagram.com/p/B-nKHl_KpyT/

Neste período de quarentena, por conta da pandemia de coronavírus, Nathalie Moellhausen tem realizado lives todos os domingos, às 11h, para compartilhar seus treinos com intuito de contribuir com as pessoas que gostam da modalidade. A atleta revelou que a ideia surgiu de forma natural e improvisada.

“Tenho um grupo de crianças do meu clube, o Pinheiros, que adoro. Elas são incríveis e uma delas se chama Manoela e ela me mandou mensagem. Nunca tinha usado a live na minha vida e passei compartilhar meu treino aos domingos. Não sou professora, não estou querendo ocupar lugar dos técnicos brasileiros. Minha ideia é ajudar com coisas básicas sobre jeito que me preparo e que, talvez, possa inspirar as pessoas”, disse Nathalie.

A atleta comentou sobre a dificuldade de manter os treinamentos sem ter um objetivo claro, já que todas as competições estão suspensas. “Meu corpo está acostumado com atividade física todos os dias. Falei para o meu preparador físico que não sabia treinar sem objetivo e para ele me ensinar a treinar pelo prazer de treinar, principalmente para minha saúde mental. Estou treinando todos os dias de manhã. Acordo cedo e mantenho essa rotina. O fato de não ter muita interação tem me ajudado a corrigir algumas coisas, ver alguns detalhes que talvez não observo quando estou fazendo meus treinos básicos no ginásio de esgrima”, declarou.

Trabalho para desenvolver a esgrima no Brasil

Principal nome do Brasil na esgrima, Nathalia sabe de sua importância para contribuir com o desenvolvimento do esporte. Ainda na Itália, a competidora iniciou na modalidade com cinco anos. Além disso, ela jogou tênis até 10 anos, praticou vôlei e fez aula de dança. A atleta, garantida em Tóquio, tinha vontade de ser bailarina, mas foi com a esgrima, esporte que considera um “balé com espada”  que se tornou uma protagonista.

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“É uma missão possível e, ao mesmo tempo, impossível. Com Tóquio em 2021 vou ter mais tempo para ir ao Brasil e ter um ano olímpico para compartilhar e apaixonar as pessoas. Ainda estou com essa adrenalina e isso é para surgir novos projetos e permitir a divulgação do esporte. Infelizmente por ser um esporte menor meu trabalho é dez vezes maior do que se fosse um esporte com mais popularidade. É um trabalho de formiguinha”, concluiu a atleta.

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