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Curiosidades olímpicas

Persona non grata: o histórico das mulheres nas Olimpíadas

O histórico da participação feminina em Jogos Olímpicos. De rejeitadas a estrelas, como foi o caminho até Tóquio 2020

Charlotte Cooper a primeira campeã olímpica e Maria Lenk a primeira brasileira em uma Olimpíada (Reprodução)

Que o esporte é machista não é novidade pra ninguém. As mulheres por muito tempo foram proibidas de participar de Olimpíadas e até de torcer. Depois, começaram a aparecer de forma tímida e honrosa nas estatísticas no mundo olímpico. Em 2021, na edição de Tóquio, pela primeira vez elas podem quase chegar a quase 50% dos competidores. Persona non grata? Acompanhe o histórico!

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Persona non grata

O termo “persona non grata” vem do latim cujo significado literal é “pessoa não agradável”, “não querida” ou “não bem-vinda”, exatamente o que significava a presença feminina nas Olimpíadas da Grécia Antiga. A participação era totalmente proibida tanto nas competições, quanto nas arquibancadas.

Só cidadãos gregos tinham esse direito. Ou seja, homens livres e nascidos na Grécia. A única exceção era a sacerdotisa de Deméter, do templo da deusa Ceres, que tinha entre suas obrigações de ofício assistir às provas.

Jogos Modernos e o início da mudança

A primeira edição de Jogos Olímpicos da Modernidade aconteceu em Atenas em 1896, com a presença de 241 atletas e 14 países e, pasme, nenhuma mulher. Já em Paris, em 1900, apenas 2,2% da presença feminina, com 22 representantes.

E isso contra a vontade do idealizador das Olimpíadas: Pierre de Coubertin. O desgosto aconteceu exatamente na edição dos Jogos em sua casa. Coubertin tinha uma frase famosa sobre as mulheres: “É indecente ver mulheres torcendo-se no exercício físico do esporte”.

A alegação era que o corpo feminino foi feito para maternidade e não para competições esportivas. No entanto, a história começou a ser reescrita.

A primeira campeã olímpica foi a tenista inglesa, Charlotte Cooper, que já era tricampeã de Wimbledon e ganharia ainda mais dois títulos do torneio.

Mesmo assim, o número oscilava. Voltou a cair pra seis, depois foi pra 37, 48, subindo aos poucos… Até chegar a presença de 45% na edição dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016.

Persona non grata: O gráfico mostra o histórico da proporção de mulheres e o crescimento da participação nas Olimpíadas (Gráfico: Pedro Catunda)
O gráfico mostra o histórico da proporção de mulheres e o crescimento da participação nas Olimpíadas (Gráfico: Pedro Catunda)

Curiosidades Femininas Olímpicas

A primeira brasileira a competir nos Jogos Olímpicos foi Maria Lenk, em 1932, com 17 anos. No entanto, o Brasil só subiu ao pódio com as mulheres no vôlei de praia em 1996, quando quatro brasileiras chegaram à final e Sandra Pires Jaqueline Silva conquistaram a inédita medalha de ouro feminina do Brasil ao bater Adriana Samuel e Mônica Rodrigues. (Veja o histórico do Brasil nos Jogos).

Londres 2012 foi a primeira vez que as mulheres competiram em todas as modalidades esportivas e, também, tiveram participantes femininas de absolutamente todos os países. Feito importante 116 anos e 27 edições dos Jogos Olímpicos depois.

Tóquio 2020 (1)

A Olimpíada de 2021 será histórica para as mulheres. Segundo o próprio COI (Comitê Olímpico Internacional), tudo leva a crer que será a maior delegação feminina da história com provavelmente: 48% do total de atletas.

O aumento significativo tem relação com o aumento das modalidades mistas e, também, a melhor distribuição de vagas. Além do recorde de participação, pode ser a edição em que consagrará uma rainha olímpica pela primeira vez.

Durante 10 dias, o blog de curiosidades olímpicas e o OTD delas se unem trazendo informações importantes sobre o histórico das mulheres nas Olimpíadas. Não perca!

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