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Polo aquático masculino em quarentena: unidos à distância

Coronavírus separa seleção brasileira de polo aquático, mas não quebra a união e o foco entre os jogadores

Seleção masculina de polo aquático
Seleção masculina de polo aquático - Foto: Reprodução/Facebook

Um time unido ganha junto. Assim como um time unido perde junto. Em tempos de pandemia e quarentena, um time unido segue junto mesmo à distância, cada um no seu quadrado. A seleção de polo aquático masculino estava prestes a estrar no Pré-Olímpico Mundial para Tóquio 2020, quando tudo foi adiado, sem previsão de volta, os separando abruptamente.

A busca pela vaga olímpica se transformou na busca pela própria sobrevivência e pela não propagação do vírus. “É um momento difícil, não só para os atletas e só no Brasil, é difícil para o mundo. Hora de ficar em casa neste momento, de pensar na saúde de todos e no bem estar geral”, decreta o capitão da seleção, Gustavo de Freitas Guimarães “Grummy”, que está passando a quarentena em São Paulo.

Gustavo Guimarães “Grummy”, capitão da seleção de polo aquático (Arquivo pessoal)

FIQUE EM CASA

Se o capitão mandou, tem que cumprir. Brincadeiras à parte, a seleção está seguindo as orientações de isolamento. “Tá todo mundo em casa, todos com as suas famílias, evitando sair na rua, cuidando da casa, verdadeiros donos de casa. Essa rotina é importante para evitar o contato social, evitar o risco para todos os outros, temos que pensar em todos”, comenta Gustavo Coutinho, outro que também passa sua quarentena em São Paulo.

Roberto Agulha de Freitas, o Beto, mais um que está de quarentena em São Paulo, segue o mesmo raciocínio. “Acho que devemos pensar além do esporte, e sim na nossa saúde e na saúde e no bem-estar das pessoas.”

Bem longe de São Paulo, mais precisamente em Barcelona (ESP), país que já teve uma explosão de casos e mortes, João Pedro Coimbra Serra Fernandes também segue em casa. “A situação aqui tá bem complicada, o clima muito tenso, tudo fechado. Todos obrigados a ficar em casa.”

FOCO CERTO/CALENDÁRIO INCERTO

É fato que a Olimpíada de Tóquio está adiada, mas ninguém sabe ao certo como será a programação dos pré-olímpicos, muito menos a própria data da olimpíada.

Isso não preocupa a seleção de polo aquático, como diz Coutinho: “Mesmo antes da confirmação, a gente conversava sobre as possibilidades do cancelamento, mas a prioridade era seguir treinando. Nos reunimos e ficou decidido focar 100% no Pré-Olímpico, o cancelamento era a segunda opção para gente”.

Foto: Arquivo pessoal
Gustavo Coutinho defendendo a seleção brasileira (Arquivo pessoal)

“Os países precisarão de tempo para treinar e atualmente isso está em segundo plano, porque o coronavírus esta se alastrando rapidamente no mundo e vários países estão adotando medidas para proteger as suas populações.Teremos tempo para nos preparar”, completa Beto.

Para Grummy, “os Jogos Olímpicos são a competição mais importante, é preciso estar bem preparado para chegar lá, e a nossa preparação vinha sendo bem feita, desde janeiro, para chegar no nível mais alto no Pré-Olímpico. Agora é pé no chão, esperar passar essa pandemia, voltar a se preparar e fazer um ciclo bem feito. O sonho de estar lá na olimpíada continua e talvez até aumente.”

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Não há dúvida que a fome de lutar pela vaga está vivíssima. “Temos a certeza de que tempo teremos para poder juntar capital suficiente para fazer outra preparação como a que estávamos fazendo antes da pandemia e, provavelmente, podemos chegar na competição com mais vigor e preparo”, finaliza João Pedro.

TREINO, TREINO E TREINO

Quarentena não é férias. Tem que se manter ativo. “É muito importante termos a consciência que temos que dar um jeito de treinar, para na readaptação sofrer um pouco menos. Mas fica cada um meio que por si, vai da consciência de cada um.”

Fique tranquilo Grummy, a seleção masculina está consciente e segue treinando do jeito que dá.

“Aqui em casa, treino todo dia uma hora, passeio e corro com os cachorros, faço treinos de core, abdominal, agachamento, peso livre, pega livro, pega galão d’água, tudo para tentar manter um pouco do físico que a gente tinha ganhado desde janeiro. É muito longe da nossa realidade, que é treinar dentro na piscina, mas é nossa circunstância e tem que tentar fazer o máximo”, resume Coutinho.

Roberto Agulha de Freitas em ação pelo polo aquático do Brasil (Arquivo pessoal)

Para Beto, é crucial corpo e mente estarem em sintonia na quarentena. “Estamos recebendo vídeos explicativos para treinarmos em casa, do jeito que dá, já que não podemos sair e nem treinar em nossos próprios clubes. Além disso, no meu clube (Sesi-SP), estamos recebendo apoio da psicóloga, para nos ajudar a organizar o nosso tempo no confinamento social. É necessário estar na melhor forma física e mental.”

E não se pode descuidar da alimentação, frisa João Pedro. “Manter o corpo ativo, uma rotina, a alimentação melhor que nunca, o foco na dieta, sem comer besteria, sem ingerir calorias desnecessárias. Ocupar a mente com coisas produtivas dentro de casa, fazer muito exercício, o que não tá sendo fácil, já que o nosso esporte é dentro da água, não temos a piscina, é um esporte coletivo e não temos outras pessoas.”

GRUPO SEGUE UNIDO

Um time precisa estar afiado, entrosado e na mesma pegada. O coronavírus certamente deu uma quebrada nisso tudo. Por outro lado, a unidade segue intacta, bem como o respeito e objetivo em comum.

“Estamos mantendo o contato com o time, rolam vídeos chamada para manter a união. Afinal de contas, estavam todos preparados, bem treinados, unidos, todos estavam com a expectativa muito grande, As coisas estavam funcionando para gente, queríamos lutar pela vaga olímpica!”, diz João Pedro empolgado.

Foto: Arquivo pessoal
João Pedro Fernandes, goleiro da seleção brasileira (Arquivo pessoal)

As redes sociais aproximam as pessoas e se tornaram companhias quase que obrigatórias, ainda mais em época da quarentena. “A gente está em contato todos os dias. Mensagem, brincando um como outro, mandando um vídeo, figurinha, meme, os desafios no insta, desafio de tudo que você pode imaginar, tudo para manter a mente ocupada, manter a cabeça boa”, complementa Coutinho.

PALAVRA FINAL

“O mundo precisa se recuperar para depois os atletas terem condições de treinarem, se prepararem para chegar bem nos Jogos e até mesmo tentarem a classificação, como é o nosso caso. Vamos seguir conscientes e rezar por um mundo melhor, que esse coronavírus vá embora logo!”, finaliza o capitão Grummy.

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