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Curiosidades olímpicas

Ketleyn Quadros: primeira brasileira medalhista individual

Aos 20 anos, Ketleyn Quadros superou uma chave difícil em Pequim-2008 para colocar o seu nome na história

Ketleyn Quadros - Primeira mulher brasileira medalhista olímpica - Pequim-2008
Ketleyn Quadros: a primeira mulher brasileira a ser medalhista olímpica em esportes individuais (Antonio Cruz/ABr)

As primeiras medalhas olímpicas femininas do Brasil foram conquistadas em Atlanta-1996. No entanto, as quatro medalhas foram em esportes coletivos (vôlei de praia, vôlei de quadra e basquete). Em modalidades individuais a espera foi de mais 12 anos. Foi em Pequim-2008 que a judoca Ketleyn Quadros se tornou a primeira mulher brasileira medalhista olímpica individual. 

Até então, duas mulheres brasileiras haviam batido na trave. Em Tóquio-1964, Aída dos Santos ficou na quarta colocação no salto em altura, melhor resultado de uma atleta feminina do país durante 32 anos. Em Atenas-2004, Natália Falavigna, do taekwondo, assumiu o posto na categoria acima de 67 kg. 

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Superando os obstáculos

Ketleyn Quadros tinha apenas 20 anos de idade quando subiu no pódio olímpico. O caminho para se tornar a primeira brasileira medalhista olímpica individual, entretanto, não foi fácil. Em 2006, Ketleyn Quadros trocou Brasília por Belo Horizonte, para defender o Minas Tênis Clube. 

Com apenas 17 anos, a atleta começou a se destacar em competições regionais e nacionais e era tratada como potencial para Londres-2012. Mas quis o destino que ela, em 2007, fosse inserida no ciclo olímpico de Pequim-2008, que já estava no fim. 

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Por ser a líder do ranking de juniores, Ketleyn teve a oportunidade de disputar a seletiva olímpica. No entanto, a judoca de Ceilândia viu sua principal concorrente à vaga, Danielle Zangrando, se machucar, e não deixou a oportunidade passar. 

O caminho até o pódio

Ketleyn Quadros - Ketleyn Quadros - Primeira mulher brasileira medalhista olímpica - Pequim-2008 - Pequim-2008
Ketleyn é natural de Ceilândia, DF (Instagram/ketleynquadros)

Passado o sufoca da classificação, veio o sufoco da competição. Mesmo com 20 anos, Ketleyn estreou bem em sua primeira luta olímpica, superando a sul-coreana Sin-Young Kang por yuko. Na segunda luta, a brasileira esteve perto das quartas de final, mas levou um koka de contra-golpe da holandesa Deborah Gravenstijn, que terminou com a prata, e foi, assim, para a repescagem. 

A chave na sequência da disputa colocou uma pedreira logo de cara no caminho de Ketleyn. A espanhola Isabel Fernandez, campeã olímpica em Sydney-2000 e mundial em Paris-1997 foi a adversária, mas a judoca brasileira lutou de igual para igual. Tanto é que a luta só foi definida no golden score, após os juízes punirem a atleta europeia por uma entrada falsa.

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Na final da repescagem, a vítima da vez foi a japonesa Aiko Sato. Ketleyn acertou um belo golpe no primeiro minuto de luta e conquistou o ippon, que lhe credenciou para a disputa do bronze.

Entrando para história no golden score

Ketleyn Quadros - Primeira mulher brasileira medalhista olímpica - Pequim-2008
Ketleyn Quadros e a medalha de bronze (Instagram/Ketleynquadros)

Última luta, dia 11 de agosto de 2008. A estreante parecia na verdade veterana. Diante da australiana Maria Pekli, Ketleyn começou muito bem o combate e dominou a adversária. No segundo minuto, ela forçou uma punição à australiana por falta de combatividade e ficou na frente do placar.

No fim da luta, no entanto, Pekli conseguiu devolver a punição para a brasileira, levando o duelo para o golden score. Mas nada seria capaz de impedir a atleta de Ceilândia. Ketleyn Quadros derrubou a rival com um belo contra-golpe e venceu a luta por ippon, garantindo o bronze e se tornando a primeira mulher brasileira medalhista olímpica individual.  

E a medalha de Ketleyn em Pequim-2008 foi o impulso que o judô feminino precisava. Isso porque depois dela, Sarah Menezes e Rafaela Silva colocaram o Brasil no lugar mais alto do pódio olímpico e e Mayra Aguiar conquistou dois bronzes.

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