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Bia paga dívida e sai do Mundial ainda mais confiante em Tóquio

Após ganhar o Mundial, Bia Ferreira ressalta segurança em seu jogo para buscar nas Olimpíadas sua próxima meta

Bia Ferreira no Mundial de Boxe
(reprodução/Instagram)

Ao ser apresentada para a final do Campeonato Mundial de Boxe, a brasileira Bia Ferreira entra em cena pisando firme, braços erguidos cumprimentando o público e socos no ar, típicos dos boxeadores. Entra esbanjando confiança. No meio do caminho é parada pelo técnico Mateus Alves, que a vira, joga água em seu rosto e pergunta? “Quem é a campeã? Quem é a campeã?”

O chamado incendeia a brasileira, que apressadamente sobe no ringue e se prepara para fazer o que mais ama, exatamente onde mais queria estar naquele domingo para pagar uma velha dívida consigo mesma. Passados quinze minutos, saiu consagrada do ringue e minutos depois seria ainda eleita a melhor atleta do campeonato.

Bia Ferreira tem 24 medalhas em 25 torneios. A única que perdeu foi a do mundial do ano passado. Por uma luta. Ao tomar neste domingo seu lugar no pódio, lembrou de uma promessa que havia feito. “Lembrei que meu primeiro mundial não tinha dado certo e que eu tinha prometido para mim mesma que eu ia voltar e que ia voltar mais forte”, disse a brasileira, em entrevista exclusiva para o Olimpíada Todo Dia.

Bia Ferreira no Mundial de Boxe
(reprodução/Instagram)

“No ano seguinte eu estava ali e tinha cumprido com a minha palavra. Não só fui campeã, como fui escolhida a melhor atleta. Tinha honrado com a minha palavra”, completa, orgulhosa, a atleta da categoria leve, até 60 quilos, de 27 anos.

Sobre ser a melhor atleta do Mundial, admitiu ter ficado surpresa. “Isso eu não esperava. Muitas meninas sensacionais lá. Me deixou anestesiada”, conta, detalhando como foi que ficou sabendo do prêmio. “Eu tava fazendo o controle de antidoping quando foram lá me chamar. A princípio eu não entendi o que era, eles estavam falando em russo. Depois que eu vi, fiquei muito feliz. É muito gratificante”.

Sobrenome Confiança

Não é apenas o sentimento de dever cumprido que o ouro deixa. Junto veio ainda mais confiança para seguir em frente na carreira. “Esse campeonato me amadureceu muito também. Eu fui preparada, me senti o tempo todo confiante, o tempo todo focada, concentrada”, explica. “A gente treina, mas as vezes demora um pouco para ter uma certa confiança. E eu vi que eu estou treinando e estou tendo essa confiança”.

O chamado do treinador (veja abaixo, a partir de 1h35min08s) faz parte do processo. “Ele sempre passa segurança. Que eu sou a campeã ali e que não tem outra. Que a melhor sou eu. E isso dá segurança e é um diferencial para se destacar lá em cima”.

Além do psicológico, destaque para uma evolução do lado técnico nas lutas. “Não sei dizer qual foi a mais difícil, porque foram sentimentos diferentes, foram trabalhos diferentes, lutas diferentes que eu tive de fazer. Isso foi muito bom, porque eu percebi que eu não tenho um jogo só, eu tenho várias outras armas”.

Dentre as cinco rivais que venceu, destaques para as quartas de final, contra uma atleta da casa – Natalia Shandrina – e para a semifinal contra a velha conhecida Rashida Ellis, dos Estados Unidos. “Não é fácil lutar contra atleta da casa, a torcida dela era imensa, mas eu acho que me saí bem, mantive bem o controle emocional”.

Rashida chegou a bater a brasileira em um torneio classificatório para os Jogos Pan-Americanos. Foi a única atleta do continente que a derrotou. Bia Ferreira não engoliu. Descontou no Pan e, na Rússia, conseguiu a terceira vitória sobre a rival. “Lutar contra os Estados Unidos é sempre uma adrenalina a mais. Dá mais emoção”. Sobre Rashida: “sei que a vontade dela de ganhar de mim é imensa, mas isso não vai acontecer, não”.

Bia Ferreira, boxe
“Nasci para isso” (COB)

“A gente quer ser os melhores”

Bia ganhou os Jogos Pan-Americanos, foi a primeira boxeadora a conseguir isso no Brasil, e agora ganhou o Mundial igualando feito de Roseli Feitosa em 2010. Missão cumprida? “Para esse ano. Porque ainda falta a (medalha) de Tóquio”, dispara sem pestanejar.

A atleta é uma das grandes apostas, se não a maior, do boxe brasileiro para ir ao pódio no ano que vem, no Japão. O técnico Mateus Alves fala em duas medalhas para a jovem seleção, uma em cada naipe, e a do feminino ele cita abertamente Bia Ferreira. Pressão?

“Eu não quero levar isso como pressão, quero levar como apoio. É sem pressão, é treinar duro e se divertir. Isso que atrai coisas positivas. “Vou continuar fazendo meu trabalho por mim mesmo, pela minha família, porque eu gosto de fazer isso, nasci para fazer isso, treino todos os dias. Eu e minha equipe. A gente quer ser os melhores”.

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