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Zé Roberto não garante volta de medalhões à seleção feminina

Depois dos bons resultados de 2017, José Roberto Guimarães não garante a volta das jogadoras experientes que não jogaram pela Seleção nesta temporada

Com apenas Natália e Adenízia como remanescentes da Olimpíada do Rio de Janeiro e a volta de Tandara, campeã em Londres 2012, a Seleção Brasileira de vôlei feminino começou a temporada de torneios internacionais completamente desacreditada. Com uma equipe reformulada, sofreu com altos e baixos e com muitas críticas, mas soube dar a volta por cima. Em quatro competições disputadas, as comandadas por José Roberto Guimarães chegaram a todas as finais. Foram campeãs do Torneio de Montreux, do Grand Prix e do Sul-Americano, além de terem conquistado a medalha de prata da Copa dos Campeões. Por conta disso, o técnico José Roberto Guimarães dá um voto de confiança às novatas que souberam manter o país no topo e não garante o retorno das jogadoras experientes que preferiram pedir dispensa da Seleção em 2017.

“Nós temos um time hoje, que é esse. O que vier a agregar a esse time depois, será ótimo, mas não dá para eu dizer nada efetivamente hoje. Se vai voltar a Dani (Lins, levantadora), se vai voltar a Fabíola. Vamos ver como a Superliga vai se desenvolver. Vamos ver como é que a Fernanda (Garay) vai voltar e as outras jogadoras como a Thaisa. Há uma grande expectativa sobre a recuperação dela. É uma jogadora importante, uma das melhores centrais do mundo. A expectativa é grande, mas não dá para dizer que vai acontecer”, afirmou o treinador em entrevista exclusiva ao Olimpíada Todo Dia.

Depois de ser quase eliminado duas vezes, Brasil reagiu e conquistou o título do Grand Prix ao bater a Itália na final

Das 12 jogadoras que disputaram a Olimpíada, Fabiana e Sheilla anunciaram aposentadoria logo após a eliminação para a China nas quartas-de-final dos Jogos do Rio de Janeiro. Fabíola e Thaisa não puderam ser chamadas por causa de graves contusões. Já Dani Lins deu uma pausa na carreira para engravidar. Fernanda Garay, Jaqueline, Léia e Juciely pediram dispensa das competições deste ano. Para completar, por conta de uma lesão no tendão patelar do joelho, Gabi ficou de fora de Montreux, do Grand Prix e do Sul-Americano. A ponteira jogou apenas a Copa dos Campeões, mas voltou a sentir o problema e terá que passar por uma cirurgia, que a deixará um bom tempo longe das quadras.

Com tantos desfalques, José Roberto Guimarães foi forçado a fazer uma reformulação. Só podendo contar com Natália e Adenízia do grupo olímpico, resolveu experimentar e dar chance a jogadoras como a levantadora Roberta, às ponteiras Rosamaria e Drussyla, às centrais Bia e Carol, à libero Suelen e ainda trouxe de volta a oposta Tandara, campeã olímpica em 2012, mas cortada às vésperas dos Jogos do Rio de Janeiro.

Jogadoras jovens como Rosamaria souberam aproveitar a oportunidade e se firmaram na Seleção Brasileira

O plano do treinador era dar prioridade ao Campeonato Sul-Americano, que classificaria o campeão para o Mundial do ano que vem. José Roberto Guimarães queria usar as outras competições para dar rodagem ao novo grupo. Mas os resultados foram muito melhores do que o esperado. No Torneio de Montreux, apesar de uma derrota para a Alemanha na fase de grupos, a Seleção embalou com uma vitória sobre a China na semifinal e faturou o título se vingando das alemãs na decisão.

Veio então o Grand Prix  e o Brasil sofreu. Derrotas para Japão e Tailândia quase colocaram tudo a perder. A classificação para a fase final veio graças a uma arrancada nas três últimas rodadas e uma combinação de resultados, que fizeram o país passar em terceiro lugar. Na fase final, derrota para a China e vitória sobre a Holanda: resultados que também deixaram a Seleção perto da eliminação, mas na última rodada as chinesas bateram as holandesas e salvaram a pele das comandadas por José Roberto Guimarães.

A decisão do Grand Prix foi disputada contra a Itália. O Brasil levou o título num emocionante jogo de cinco sets

A partir daí, o Brasil se impôs: bateu a Sérvia, enquanto a Itália fez o serviço sujo contra a China e, na decisão, as brasileiras derrotaram as italianas em um dramático 3 a 2 para levantar a taça de campeão. “Nós ganhamos o Grand Prix de uma forma muito difícil. Fomos quase eliminados duas vezes. A gente sentiu o gosto da eliminação e alguém puxou a gente de novo para a competição e nos deram outra oportunidade e as coisas não são sempre dessa maneira. A gente passou muito sufoco. A gente sabe que a gente estava ali no fio da navalha, na linha muito tênue entre classificar ou não. E também tivemos sorte porque time também tem que ter sorte. Acho que muita coisa conspirou a nosso favor também. Eu vejo como um coisa muito positiva termos ganho, mas ao mesmo tempo sofrido para não ter salto alto. Nós ganhamos com a ajuda dos outros. Então ainda temos um caminho para percorrer”, analisou o treinador.

Depois dos títulos do Grand Prix e de Montreux, o Brasil cumpriu sua obrigação e levantou a taça também do Sul-Americano. Veio então a Copa dos Campeões. A Seleção ficou muito perto de vencer as chinesas campeãs olímpicas. Chegou a estar vencendo por 10 a 5 no tie-break, mas acabou perdendo por 19 a 17. Depois, uma nova derrota para o Japão, tirou as chances de título da equipe, que acabou ficando com o vice-campeonato.

Apesar das conquistas de 2017, o Brasil teve dificuldade contra times asiáticos: perdeu duas vezes para a China e duas para o Japão

“Acho que nós aprendemos a jogar contra esses grandes adversários e principalmente adversários que nós não conseguimos vencer esse ano. Nós conseguimos vencer a China em Montreux, mas desfalcada. Aí perdemos para a China completa na China e agora no Japão e perdemos para o Japão duas vezes no Japão. Mas perdemos os dois para a China contra o time campeão olímpico e para o Japão jogando no Japão em um ginásio para 10 mil pessoas. Muita gente acha que é simples, mas o Japão melhorou seu time. Eu acho esse time melhor do que o que jogou os Jogos Olímpicos. Não acho uma coincidência, mas acho que esse time melhorou e nós estamos com uma geração que precisamos melhorar. Esta é a estrada”, acredita.

“Neste momento, temos um time que está em pleno aprendizado, mas um aprendizado bastante contínuo e ligeiro. Um time que gosta de estar junto, que gosta de vestir a camisa da Seleção, que está sendo colocado à prova e a que ninguém dava absolutamente nada. Recebemos um monte de críticas, todo mundo falando e criticando. Elas suportaram todas essas críticas, continuaram tentando e a coisa acabou acontecendo”, completa o treinador, que não esconde a satisfação pelo trabalho feito em 2017. “Acho que a gente fez no contexto geral um bom ano. Poderia ter sido explêndido se nós tivéssemos ganho a Copa dos Campeões, mas não seria real”.

2 Comentários

2 Comments

  1. Luiz Gonzaga Nascimento

    21 de setembro de 2017 em 12:13

    Bom dia a Todos! O José Roberto Guimarães é muito experiente e inteligente. É Um treinador multi campeão. Ele sabe muito bem que campeonato mundial não é copa dos campeões, nem sul-americano. Se o Ze Roberto insistir com esse time muito baixo; algumas atletas muito acima do peso; com graves deficiências técnicas como recepção, saque, ataque e até o bloqueio, muito por falta de estatura das nossas jogadoras, não conseguirá vencer o campeonato mundial do ano que vem que é um dos 2 únicos títulos que o vôlei brasileiro não tem. É preciso apostar em atletas com maior estatura. O vôlei brasileiro tem ótimas opções. Com ponteiras de 1,80m,1,82m; centrais de 1,83m, 1,84m, 1,85m; opostas de 1,83m, 1,78m; jogadoras muito acima do peso, e atletas improvisadas jogando fora de posição sem a menor necessidade, o Brasil não tem chances de ser campeão mundial. É totalmente improvável que tenhamos a sorte que tivemos no grand Prix 2017. Se o Ze Roberto não se conscientizar disso, vai ser muito complicado!

  2. AIRTON NOZAWA

    22 de setembro de 2017 em 09:34

    …Itália fez o serviço sujo contra a China…???? Serviço sujo? Revejam o significado deste termo!Nada a ver!!!

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