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Após maratona de 4h39, Marcelo Melo é campeão em Wimbledon

Marcelo Melo foi o primeiro homem do Brasil a ser campeão do torneio de Wimbledon em 140 anos de história

A decisão parecia interminável! A duas duplas justificaram durante os cinco sets os motivos pelos quais chegaram até a final do Torneio de Wimbledon. Mas só uma das parcerias poderia sair de quadra como campeã. A disputa se extendeu por 4h39 até que Marcelo Melo e o polonês Lukasz Kubot superassem o austríaco Oliver Marach e o croata Mate Pavic com parciais de 5/7, 7/5, 7/6 (7/2), 3/6 e 13/11. Com o resultado, o Brasil volta a vencer o tradicional Grand Slam inglês após 51 anos. O primeiro título entre os homens, em 140 anos de disputas. A última comemoração de um tenista profissional do País havia sido nas duplas femininas, com Maria Esther Bueno, em 1966.

O equilíbrio marcou todo o duelo. No primeiro set, a única quebra foi conseguida no 11º. game por Marach e Pavic, que confirmaram o saque em seguida para fechar em 7/5. O segundo foi muito parecido, mas a única quebra ocorreu no 12º. game e desta vez quem a conseguiu foi a dupla formada por Melo e Kubot, que venceram também por 7/5.

No terceiro set, não houve quebras e a decisão foi para o tie-break. No desempate, o brasileiro e o polonês foram melhores e chegaram a vitória por 7/2. No quarto, Marach e Pavic conseguiram se impor, quebraram duas vezes o saque dos adversários e venceram por 6/3, levando a decisão para o quinto set.

Na hora de decidir, as duas duplas lutaram até o fim, mostrando em cada ponto que não queriam sair de quadra derrotados. Estava mais do que claro que, independente de quem ganhasse, o título de Wimbledon ficaria em boas mãos. Provar quem merecia mais foi um grande desafio. No 12º. game, Marcelo Melo e Lukasz Kubot abriram 40/15, tiveram dois match points a seu favor, mas Pavic e Marach marcaram quanto pontos seguidos e fecharam o game, deixando o jogo em 6/6.

No 17º. game, Marcelo Melo e Lukasz Kubot ficaram muito perto de ter seu serviço quebrado. Com Kubot no saque, Pavic e Marach chegaram a abrir 0/40, mas o brasileiro e o polonês conseguiram salvar quatro break-points e fizeram 9/8. Quando a partida chegou a 11/11, começou a anoitecer e o duelo foi interrompido para que o teto fosse fechado e a luz artificial fosse acendida.

Quando o jogo voltou, Marcelo Melo e Lukasz Kubot não deram chances para o azar, fizeram 12/11 e, mesmo com Pavic no saque, conseguiram abrir 40/0. Eram três match points, mas, no primeiro, veio o ponto que garantiu o título para o brasileiro e para o polonês.

Foi a segunda final de Marcelo Melo em Wimbledon – em 2013 ficou com o vice-campeonato, ao lado do croata Ivan Dodig, perdendo a decisão para os irmãos Bob e Mike Bryan – e a terceira de um Grand Slam. Em 2015, Melo e Dodig foram campeões em Roland Garros.

“Não tenho palavras para descrever o sentimento depois desse jogo. Eu ainda vou precisar de um tempo para assimilar esse grande feito. É aproveitar agora o momento, curtir o máximo. Meu sonho sempre foi conquistar um Grand Slam e, especialmente, Wimbledon.  Sempre falei isso. Todos os anos que meu foco era vir e ganhar aqui. Desde pequeno sonhei. A grama foi um piso que sempre gostei de jogar. Fomos para os outros torneios, antes, na grama, pensando em Wimbledon. E poder ganhar aqui, nossa… É Wimbledon! Poder entrar para a história. Ser afortunado de jogar naquela quadra central e vencer. Realmente, puderam ver pela minha reação”, comemorou um emocionado Marcelo.

“Agradeço todo mundo, ao meu time, todos que trabalham comigo, meus patrocinadores, todo mundo que me apoia, os torcedores que mandam mensagens. A todo mundo que me incentiva e torce por mim. É isso. Estava muito feliz por já ter conquistado Roland Garros e ter sido número 1. Agora, aqui,  esta semana, recuperar o número 1 do mundo, naquela semifinal tão importante, e poder virar campeão de Wimbledon. Ter na carreira esses títulos, ser número um do mundo, estou muito feliz”, completou o tenista.

“Estamos muito felizes, comemorando esse  triunfo. Um torneio tão tradicional, que o Marcelo sempre quis ganhar, na grama, o piso que ele mais gosta. É aproveitar este momento tão especial, depois de duas semanas de muitas batalhas. Demais! Não tem como expressar tamanha felicidade”, vibrou Daniel Melo, irmão e treinador de Marcelo, que está ao seu lado na conquista de todos os 27 títulos da carreira.

O tenista mineiro conquistou o 27º título de sua carreira e o quinto nesta temporada. Melo e Kubot conquistaram, em 2017, além de Wimbledon, dois Masters 1000 – Miami (Quadra Rápida) e Madri (Saibro) –, o ATP 250 de ‘s’Hertogenbosch, na Holanda (Grama) e o ATP 500 de Halle, na Alemanha (Grama). Além disso, foram vice-campeões no Masters 1000 de Indian Wells (EUA), chegando agora a sua sexta final no ano.

A campanha até a final de duplas – Na estreia em Londres, o mineiro Melo e o polonês Kubot não tiveram problemas para vencer os holandeses Wesley Koolhof e Matwe Middelkoop por 3 sets a 0, com parciais de 6/4, 6/0 e 6/3. Bem diferente da partida da segunda rodada, quando precisaram de cinco sets e 3h43 minutos para avançar, derrotando o alemão Philipp Petzschner e o austríaco Alexander Peya por 3 sets a 2, parciais de 6/2, 5/7, 6/3, 3/6 e 11/9.

Na terceira rodada, mais uma batalha de cinco sets, desta vez com uma virada espetacular, diante do romeno Florin Mergea e do paquistanês Aisam Qureschi: 3 sets a 2, parciais de 6/7 (3-7), 4/6, 6/1, 6/4 e 6/2, em 3h22min. Já nas quartas de final, eles conseguiram mais uma vitória por 3 a 0, diante dos irmãos britânicos Ken Skupski e Neal Skupski, parciais de 7/6 (13/11), 6/4 e 6/4.

Aí, voltaram a enfrentar cinco sets, em partida muito equilibrada, para ganhar dos cabeças de chave número 1, o finlandês Henri Kontinen e o australiano John Peers, por 3 sets a 2 – parciais de 6/3, 6/7(4/7), 6/2, 4/6 e 9/7 -, em 3h32min, e garantir lugar na decisão. A vaga foi muito comemorada pela dupla. Melo beijou a grama sagrada de Wimbledon. Kubot saiu dançando. Depois da festa, concentração para a final.

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